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Angeli 70 anos: cartunista, personagens e legado

ResumoAngeli, cartunista paulistano, completa 70 anos com legado central nos quadrinhos brasileiros. O traço ácido criou personagens como Bob Cuspe e Rê Bordosa, símbolos da contracultura e da crítica social. A obra de Angeli influenciou gerações de artistas e consolidou a linguagem do humor gráfico nacional.

Do punk Bob Cuspe à libertária Rê Bordosa, Angeli marcou os quadrinhos brasileiros com traço ácido. Aos 70 anos, conheça a história e o legado do cartunista paulistano.

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Henrique Vasconcelos
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Angeli 70 anos: cartunista, personagens e legado
Foto: Imagem ilustrativa · Freecine

Do punk Bob Cuspe à libertária Rê Bordosa, Angeli marcou os quadrinhos brasileiros com traço ácido. Aos 70 anos, conheça a história e o legado do cartunista paulistano.

Arnaldo Angeli Filho, o Angeli, um dos maiores cartunistas do Brasil, completa 70 anos nesta segunda-feira (31). Paulistano do bairro da Casa Verde, ele criou personagens que se tornaram ícones da cultura brasileira, como o punk Bob Cuspe, a libertária Rê Bordosa e os politicamente incorretos Skrotinhos.

Aos 70 anos, Angeli é celebrado por uma carreira que revolucionou os quadrinhos nacionais. A influência veio cedo, na adolescência, ao contato com os desenhos de Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo no jornal O Pasquim. Nos anos 70, ele começou a fazer charges para a Folha de S.Paulo e, logo depois, criou a tira diária Chiclete com Banana, que virou uma revista de quadrinhos independente.

Foi nessa publicação que surgiram os personagens Los 3 Amigos, criação de Angeli com os cartunistas Glauco e Laerte, aos quais se juntou Adão Iturrusgarai. Adão, que conheceu o trabalho de Angeli pelas histórias de Rê Bordosa, destaca a amizade e a parceria: "Aprendi muito com eles, mas o negócio mais legal era amizade e parceria. Aprender para a vida, não para o trabalho". Ele também ressalta a originalidade de Angeli em um momento em que o cartoon brasileiro era dominado pela temática da ditadura: "O Angeli veio com aquela pegada Rolling Stones, de rock. Isso me pegou muito".

Bob Cuspe, o punk ranzinza que cospe na hipocrisia da sociedade, é um alter ego do próprio Angeli. Criador e criatura se encontram no filme Bob Cuspe - Nós Não Gostamos de Gente, dirigido por Cesar Cabral e lançado em 2021. Na animação, Angeli reflete sobre as mudanças no próprio trabalho: "O Angeli não é o mesmo. Mudou muito. O meu desenho mudou".

Sem medo de mudanças, Angeli decidiu matar sua personagem mais famosa, Rê Bordosa, que explodiu de tédio depois de se casar. O cineasta Otto Guerra, diretor de Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock'n'Roll, lembra que a personagem virou uma figura mais famosa que o próprio autor: "A Rê Bordosa é um tapa na cara das pessoas que passam o tempo fingindo coisas". A atriz Grace Gianoukas, que deu voz à personagem, afirma que Angeli traduziu como ninguém o espírito dos anos 80 e 90: "É um estudo aprofundado traduzido em síntese dos tipos modernos brasileiros da época".

Depois da morte de Rê Bordosa em 1987, Angeli criou Os Skrotinhos. Para a cartunista Laerte, eles são seus personagens favoritos: "Eles têm uma grande variação de atuação. Já se apresentaram como mulheres, como negros, como gays".

Angeli se aposentou em 2022, após diagnóstico inicial de afasia, condição que afeta a comunicação verbal e escrita, posteriormente confirmada como parte de um quadro de demência frontotemporal. Cronista que traduziu em imagens as peculiaridades da metrópole, Angeli provocou uma verdadeira revolução nos quadrinhos brasileiros, influenciando gerações e deixando um legado que permanece vivo.

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